OPINIÃO: Só quem acompanha de perto sabe


Sergio Neves
É triste pensar assim, porém o Mixto EC é hoje um clube que tem uma marca forte, uniforme vistoso e um passado de glórias e chegando ao fundo o poço. O patrimônio foi sendo depauperado ao longo de administrações paliativas e pífias. Em vez de um patrimônio com solidez, elas deixaram muitas dívidas. Claro que é possível dar uma guinada, mas isso ainda não passa de mera elocrubração e o futuro do alvinegro é um tanto incerto. 

Não fosse por uma torcida apaixonada e fanática, gente de sangue preto e branco por terem laços familiares com alguns de seus fundadores, como Antero e José Luís Paes de Barros, a admiração de políticos de realce como José Riva e outros já teria fechado as portas. E o que é pior: vê seus rivais históricos no Estado, Operário e Dom Bosco, em situação ainda mais critica. Um com nova razão social e na segundona e o outro tentando recuperar sua sede para, sabe-se lá quando, voltar aos gramados. 

Os primeiros passos para o erguimento do Mixto foram dados nos dois últimos anos com a criação da Afam, uma sociação formada por gestores públicos e amigos do clube, mas que, infelizmente, fracassou antes de atingir seu real objetivo. Para os torcedores em geral, o clube é maior do que a crise e vai ser grande novamente. Não é conversinha mole de gente apaixonada, mas isso requer um planejamento a médio e longo prazo. E dinheiro.

Desportista competente, Hélio Machado reafirmou ene vezes que estava sentindo-se “abandonado” e avisou que pretende deixar a presidência quando o campeonato terminar e/ou aparecer alguém com capital consoante com as necessidades correntes do clube. Uma fala sensata, coerente e comprensiva. A situação de Machado só não é análoga à daquela pessoa que herda um patrimônio e com o tempo descobre que é muito difícil mantê-lo porque ele assumiu o cargo ciente dos problemas existentes.

A decisão favorável do TJD no julgamento do “caso Jean Carlos” na última quartafeira traz um alento passageiro. O time é reconfirmado na semifinal com o Cuiabá, mas ainda cabe recurso junto ao Superior Tribunal de Justiça  Desportiva. E a equipe ainda terá de passar por cima do Dourado dentro de campo para disputar o título e a vaga na Série D, no momento, a meta mais desejada. 

Se surgir uma nova ação e houver novo efeito suspensivo desta semifinal, a situação ficará ruim apenas para o alvinegro, pois o Cuiabá, junto com o Luverdense, já tem vaga garantida na Série C. Sem saber o que disputar seria complicado para o Mixto manter seu elenco, por exemplo, até a Copa Mato Grosso, no segundo semestre.

Os ventos soprando favoravelmente, o alvinegro também terá um calendário cheio podendo concluir bem a temporada. Mas ainda terá de correr atrás de patrocínio público e privado pois as rendas do futebol regional são fracas e os clubes estão pagando para entrar em campo. Dias desses, o site Craques do Rádio publicou uma estatistica sobre arrecadações. O Mixto é um dos que mais arrecadas, mas mesmo assim, sua média de público é de proximadamente 850 pagantes por  partida.

Contando hoje com clubes organizados e empresarias como Luverdense e Cuiabá, que não dependem somente das arrecadações, pode-se afirmar que a redenção do futebol mato-grossense, às vésperas da Copa 2014 está longe de ser atingida. Seria necessário somar o público de quase toda a primeira fase para lotar uma única vez a Arena Pantanal - 43 mil pessoas. Mas o mundial e o seu propalado legado vem aí e os clubes precisam continuar acreditando. Dentro dos gramados, pelo menos, existem promessas surgindo. Quem companha mais de perto é testemunha.  

Fonte: Sergio Neves/Jornal Folha do Estado
20/04/2012