Ex-diretor Enio Castilho explica a renuncia da diretoria. Hélio Machado contra ataca



Criado com o intuito de profissionalizar a administração do Mixto, o Conselho Gestor renunciou de suas funções por divergências com o presidente Hélio Machado. A informação foi confirmada por Ênio Castilho, diretor de Marketing e Comunicação.

"Água e óleo não se misturam. Chegamos em uma situação insustentável. Cada um pensa de uma forma. Não temos como continuar trabalhando ao lado do presidente Hélio. Vamos renunciar e tentar ajudar o clube indiretamente até que novas eleições sejam realizadas" disse Ênio.

Para ele, o Mixto precisa de mudanças, de uma gestão profissional. O principal temor é quanto a falta de legitimidade legal de tomar as decisões no clube. O grupo vai esperar o momento certo para assumir o Tigre. O mandato do presidente Hélio Machado vai até outubro deste ano, quando novas eleições serão realizadas.

"Tentamos ajudar, mas ficamos submissos a ele que tem o poder da caneta na mão. Vamos nos retirar e montar uma chapa para concorrer às eleições. Aí teremos autonomia para comandar o time" completou Ênio.

Outro lado


De acordo com o presidente Hélio Machado, essa legalidade existe, pois uma portaria chegou a ser publicada dando poder ao grupo. Machado alega que “existe falta de confiança entre as partes”.

"Há uma falta de sintonia. Eu assinei um documento que dá poderes a eles. O que existe é uma falta de confiança. Por exemplo, eu tenho que dizer tudo o que faço a  eles, mas não existe a contrapartida. Eles contrataram um jogador sem me comunicar. Aí começou a quebra da confiança. Depois, levantamos uma verba e fui realizar o pagamento atrasado dos jogadores. Comuniquei eles, mas ninguém compareceu. Na sequência vieram me cobrar" disse Hélio, ao citar a renovação do goleiro Heverton Perereca, que depois acabou sendo vetada por ele.

Presidencialismo

Uma das principais mudanças levantadas pelo Conselho Gestor é a de alterar o estatuto do clube e implantar o modelo presidencialista, nos moldes do América-MG. A equipe mineira conta com sete presidentes, divididos em várias áreas. Para Hélio Machado, isso é uma tentativa de golpe para derrubá-lo e que não irá permitir essa troca rápida da forma como o conselho quer.

"Até sou a favor da troca, caso haja um consenso. Mas não podemos mudar as coisas dessa forma, sem um estudo aprofundado. O América-MG é o único clube do país que possui essa forma de comandar. Aqui não vejo pessoas interessadas em comandar o clube assim. Temos conselheiros que não ajudam em nada, nem para criticar. Não posso deixar que mudem o estatuto desse jeito. O Mixto é uma instituição que envolve muita gente, muita história, muitos torcedores. Eles querem é me derrubar" cravou Machado.


Por outro lado, Ênio afirmou que o Conselho Gestor só quer ajudar e que vê a situação ficar cada vez mais complicada, caso não hajam mudanças. Ele afirmou que na última reunião houve uma prestação de contas, coisa jamais vista nos últimos tempos no Tigre. A dívida do clube atingiu os R$ 3 milhões com o levantamento.

"O clube está prestes a falir. Se não fizermos nada o Mixto vai se transformar no Dom Bosco e Operário que ninguém sabe direito como está. Nosso grupo não vai se desmanchar. Vamos continuar unidos e esperar o momento para assumir o clube" relatou Ênio.

Na reunião realizada pelo Conselho Deliberativo, as divergências entre as partes ficaram mais evidentes. Apesar de apresentar a renúncia, o Conselho Gestor pretende acompanhar de perto as decisões do Mixto. Hélio Machado, por sua vez, lamentou a decisão do grupo.

"São pessoas bem intencionadas, a intenção era que trabalhássemos juntos. Eu cheguei a pensar em renunciar para que eles pudessem cuidar do Mixto, mas desisti da ideia. Vou continuar" disse Machado.

"Para me derrubarem terão que provar alguma irregularidade e não irão encontrar" finalizou.

Fonte: Robson Boamorte / Globo Esporte MT
12/01/2013