1.6.15

COLUNISTAS - Houve um dia que jogar no Mixto era sonho de menino (Enio Castilho*)


Tenho 48 anos dos quais 40 passei em Cuiabá e na minha juventude, com 15 anos, estudava na Escola Técnica Federal e meu professor de Educação Física era o Natanael, mais conhecido como Nato, ex-jogador do Mixto e na época era o preparador físico do Alvinegro. Uma vez por semana nós jogávamos futebol e o nosso desejo de menino era que o professor nos observasse e nos convidasse para jogar futebol na base do Mixto. Aliás, tínhamos um colega de escola chamado Vinícius que aos 17 anos já atuava no time profissional do Tigre e por isso era admirado dentro da escola.  O sonho de todo menino cuiabano era jogar no Mixto, no Dom Bosco ou no Operário.

Hoje jogar nestes clubes, mesmo que na base, deixou de ser um desejo, a molecada só quer saber de sair do estado e tentar a sorte em outros centros.

Esse fator é muito nocivo ao nosso combalido futebol, pois os clubes deixam de formar atletas, e como consequência montam equipes com jogadores de fora, que além de custarem muito mais não possuem identidade alguma com as nossas agremiações.

E talento é o que não falta. Vou escalar uma equipe de jogadores oriundos de Mato Grosso que hoje estão em clubes da série A.

1 - Goleiro – Fávio (Cruzeiro) 
2 - Lateral direito – Jean Patrick (Vasco)
3 - Zagueiro – Rafael Toloi (São Paulo)
4 - Zagueiro – Jakson (Palmeiras)
5 - Zagueiro – Ferrom (Figueirense)
6 - Lateral esquerdo – Natanael (Atlético  Paranaense)
7 – Atacante - Marcos Aurélio (Coritiba) – em fase final de acerto
8 -  Médio volante – Nilton (Internacional)
9 - Atacante – Jael  (Joinvile) 
10 - Meia  – Valdívia (Internacional)
11 - Atacante – Everton (Flamengo)

Estes talentos e tantos outros que estão em clubes da série B ou ainda na base de grandes times espalhados pelo País saíram jovens, sem quase terem atuado pelos nossos clubes. Não retemos nossos talentos por falta de estrutura e principalmente de perspectivas de sucesso e longevidade no futebol.
Esse dilema passa por uma palavra, “Organização” e neste quesito tanto nossa federação quanto nossos clubes deixam muito a desejar.

Que o Mato-Grossense ama futebol todos sabem, e quando Cuiabá era uma cidade muito menor do que hoje o estádio recebia grandes públicos.  Atualmente com uma população próxima de um milhão de habitantes na Grande Cuiabá, não temos nem 1% frequentando assiduamente os nossos estádios.

É hora dos nossos clubes tradicionais, principalmente o Mixto, repensar seu futuro, se estruturar e principalmente compor sua diretoria com pessoas capacitadas e por consequência ser gerido tendo como base um planejamento estratégico. Isso para que o clube não desapareça e que maior torcida do estado volte a sorrir e encher os estádios.

Por Enio Marcelo Castilho.
Integrande do Conselho Deliberativo do Mixto e Gestor em Marketing da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso - FIEMT
eniocastilho.mt@gmail.com