Opinião: "O Mixto tem que se reinventar, limpar o mofo e aspirar o pó para deixar o ar respirável"

Jorge Maciel*/Futebolpress


O fato de o Mixto descer ladeira abaixo, não tem qualquer ligação com jogadores, cuja única culpa, de alguns, alguns mesmo, é não saberem jogar. Culpa menor ainda do técnico Carlinhos, que chegou com o trem descarrilado, tentou de tudo, trabalhou feito um louco, sabe das coisas, mas o clima não ajudou e nem eram propícios os ventos agourentos.

Giani de Freitas ficou demissionário porque queria um salário justo e melhor estrutura, e também porque não viu luz no fim do túnel: como um camundongo, abandonou o navio antes do naufrágio.

Ele e todos anteviram o caos. Só os cegos, mas cegos por não querer ver, não previram a desdita. O quadro de coisas com origem nas ações estrambóticas de uma gente à frente de um clube insolvente, teve e tem  sobrevida no devaneio de uns tais de conselheiros que pouco fazem para montar ou manter um time balizado num mínimo de profissionalismo. O “Amigos 100%”, time varzeano do CPA, é muito mais organizado que o Alvinegro, assim como outros vencedores do Peladão. Time amador do Pedregal não tem nome, mas é muito mais organizado que o Mixto.

Excetuando o trabalho suado de alguns ‘pingados’, pouco mais que meia-dúzia, o Mixto está na ordem  terciária dos “planos inexplicáveis” dessa profusão de conselheiros improdutivos. Eles se reúnem para apontar defeitos, falham como sem dúvida e se esquecem de sugerir soluções práticas, divorciando-se , na hora H, da tarefa de auxiliar e contribuir. Não só neste ano, deixaram Walter, Vinícius, Arley, Joelson e outros alguns no mais completo abandono. Criticam o que foi feito, mas não têm a grandeza de estarem presentes na hora que está sendo feito.

É uma leva de gente, uns abastados, que se assombra com a ideia e possibilidade de levar uma sacola com meia dúzia de laranjas para o local de treinos.

Concordo em gênero, número e grau com o que diz em artigo o advogado e comentarista Marcelo Neves. É bem isso mesmo! Só acrescento que a hoje torcida tênue e decimal mixtense não merece tanto desmazelo, embora se saiba que, para cobrar, tem que participar. A média de público nos jogos do Mixto, como mandante, é de 352 torcedores. Então, cobrar, xingar e criticar deveria ser proporcionais ao “direito” de pagar ingresso.

Sob conselheiros (olha, que não são todos) nefastos, perdidos num historicismo sombrio e distante, o Mixto é uma estátua carcomida de bronze desvanecido, com pústulas metálicas, numa praça abandonada e matagosa. Um passado de glorias, mas que, presentemente, já não serve mais.

O Alvinegro glorioso precisa olhar para frente, pois que esse modelo de gestão coletiva e ineficiente não dá mais caldo. Está gerido por gente que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem. 

Partindo da segundona, tomara que o Mixto se erga abortando os erros e que engravide de acertos. De nada vale mais diretores amadores e malucos com pensamento frouxo e arcaico. As cores branco e preto, o rugir do Tigre, a paixão além do afã de seus seguidores exigem muito mais. A diretoria, pois, instalada, agora que está ancho na série B regional, precisa recolher e jogar no lixo no saco plástico preto e deixar aos garis. Precisa aspirar o pó, limpar o mofo e deixar o ar respirável. 

Só reinventado e depurado, o Tigre da Vargas terá forças e condições necessárias de voltar a competir, na etimologia do termo disputar. SE assim for, talvez volte a ser o que foi e fique completamente distante do que é, hoje.  

Partindo da segundona, tomara que o Mixto se erga abortando os erros e que engravide de acertos. De nada vale mais diretores amadores e malucos com pensamento frouxo e arcaico. As cores branco e preto, o rugir do Tigre, a paixão além do afã de seus seguidores exigem muito mais. A diretoria, pois, instalada, agora que está ancho na série B regional, precisa recolher e jogar no lixo no saco plástico preto e deixar aos garis. Precisa aspirar o pó, limpar o mofo e deixar o ar respirável. 

Só reinventado e depurado, o Tigre da Vargas terá forças e condições necessárias de voltar a competir, na etimologia do termo disputar. SE assim for, talvez volte a ser o que foi e fique completamente distante do que é, hoje. 

*Jornalista e diretor do Futebolpress

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