Walter destaca acordos jurídicos em sua gestão, mas diz que ficou sozinho, que houve pedidos para sua saída e que o problema do Mixto é a dívida e a falta de dinheiro

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Pedro Lima/Olhar Esportivo

Walter quando eleito presidente do Mixto pela primeira vez, em 2016 (Foto: Olhar Esportivo)

O presidente do Mixto, Walter Hudson, pediu renúncia do cargo nesta segunda-feira (25). Segundo ele, através da reportagem do site Olhar Esportivo, a sua renúncia era esperada, pois já haviam manifestos contra a permanência dele como mandatário do Alvinegro.

“A questão da renúncia já estava bem programada, porque chega um momento que cansa, que a gente de tentar ajudar e as coisas não andam. Tenho que renunciar, vários torcedores, conselheiros, pedindo para eu sair, então fica naquela, será que estou ajudando, ou atrapalhando? As próprias circunstâncias fazem com que você renuncie. Chega o momento que precisa olhar para você mesmo e falar, é muita inconveniência persistir em alguma coisa que as pessoas não querem”, disse o ainda presidente do Mixto, Walter Hudson.

Walter Hudson foi eleito presidente do Mixto em junho 2016. Em 2018, o Mixto conquistou o título da Copa FMF e garantiu vaga para a Copa do Brasil 2019. Foi aí que o presidente viu uma esperança na recuperação do Tigre. O Mixto passou pelo CSA (AL) e quase eliminou a Chapecoense (SC) no segundo jogo, porém levou a virada em três minutos no final da partida. Mesmo assim, Walter diz que conseguiu melhorar muito a situação das dívidas na sua gestão.

“Mas quero agradecer a torcida do Mixto em geral, me deram apoio, tentamos fazer o melhor para o bem. Quando fomos campeões daquela Copa FMF, eu vi a torcida, me deu uma coisa que talvez conseguisse, mas infelizmente ficamos no caminho. A dívida do Mixto era muito grande, se ganha um jogo, paga, quando perde, também tem que pagar. Mas o futebol é assim quando o clube está endividado. Ainda bem que depois que tivemos o ato trabalhista, junto com o Dr. Vinicius, por conta de várias coisas, o Mixto está bem mais calmo nas contas. O remédio do Mixto é dinheiro, se não tiver dinheiro para manter a estrutura, não consegue. Para montar um time de ponta, tem que ter no mínimo 150 mil reais por mês para trabalhar, para levantar o clube. Se não tiver fica muito difícil”, falou Walter. “Passei por aquele jogo e não consegui resolver tudo”, se referiu à Copa do Brasil.

“Estou com a minha cabeça aliviada, as coisas que eu fiz dentro do clube, tenho certeza que foram certas. Quando entrei no Mixto, não tinha prestígio em lugar nenhum, em hotéis não podia ficar, porque tinha que pagar adiantado, outras coisas para viajar sempre tinha problema. Hoje você já pode ver que existe jogador querendo ir para o Mixto, tem respaldo de novo”.

Walter compara as gestões do Mixto no passado com uma pandemia, em que até hoje não teve uma resolução. De acordo com ele, as dívidas acumuladas, principalmente após o ano de 2008, em que ocorreu o último título estadual do Tigre, o Mixto viveu aos poucos essa decadência, ainda não conseguindo resolver uma doença crônica.

“Você está numa guerra, na ponta de frente. Aí de repente quando você olha, você está sozinho, e os demais lá trás. Então não tem como vencer sozinho. Eu vejo o Mixto como se fosse esse caos da pandemia. Do passado para cá, de 2008, o Mixto já havia uma decadência. O desprestígio do clube já vem ao longo do tempo, ou seja, a doença já estava lá, a pandemia já havia ocorrido, precisava alguém para descobrir um remédio para curar isso aí. A gente tentou através de algumas receitas, tentar curar o que existia dentro do clube. No decorrer do tempo, a gente detectou que existe a doença ainda, com os passivos, as dívidas trabalhistas, na Receita Federal, então sozinho não consegue fazer isso, não consegue acabar com essa doença crônica, em que tem que cuidar sempre. Para isso precisa de bastante gente junto. Falam que existem pessoas que querem ajudar o Mixto, que só não ajudam porque o Walter está lá, então está aí, que cheguem para se apresentar. Seria muito egoísta da minha parte ficar ali atrapalhando isso”, completou Walter Hudson.

O Mixto terminou na nona colocação do Estadual e automaticamente foi rebaixado para a Segunda Divisão do Mato-grossense de 2021. Porém, ainda sem uma definição sobre a continuidade da competição, que está suspensa em tempo indeterminado desde o dia 18 de março, o Tigre sonha com a permanência na Primeira Divisão do futebol regional.

O Conselho Deliberativo do clube marcará uma assembleia para debater o futuro do Alvinegro.

Um comentário:

  1. Esta conversa de ajudar o Mixto é sempre de oportunistas de plantão e na verdade não ajudam e nem irão ajudar ninguém. Sobre a decadência pós o título de 2008, concordo plenamente. Com a entrada da AFAM o Mixto acabou. Serviu de lavagem de dinheiro para alguns políticos e de fonte de receita para alguns líderes de torcidas organizadas. Isto foi amplamente divulgado à época, mas as pessoas estavam cegas, achavam que aquela gente da AFAM iria fazer o milagre de colocar o Tigre na série A do Brasileirão. Quanta mentira, falácia e ilusões. Infelizmente o Mixto ao longo da sua história, vem pagando o alto custo da irresponsabilidade e desmando de seus dirigentes: fracassos, dívidas, descrédito, decadência e seu quase fim. Respira por aparelhos.

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