Nos últimos 20 anos, Mixto teve 17 presidentes e 13 renúncias

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Luiz Esmael e Oliveira Júnior /Jornal A Gazeta

Orlando Fernandes Craici foi campeão mato-grossense em 1996 (A Gazeta)

No próximo sábado (dia 18) o Mixto Esporte elege sua nova diretoria, com promessa de investir alto nas categorias de base. A escolha dos novos mandatários será feita através do voto dos membros do Conselho Deliberativo.

Ao longo de 20 anos o clube já teve 17 presidentes; alguns polêmicos, vitoriosos, outros um total desastre, e o mais recente renunciou ao cargo. Foram servidores públicos, pecuarista, um vereador, advogado, secretário de estado que virou delator, dentista, bancário, ex-treinador e dois professores. Ao longo desses anos o Mixto poderia muito bem ter conquistado um lugar no ‘Guineess Book’ - o famoso Livro dos Recordes, afinal, foi o clube que mais presidentes teve em tão pouco tempo na história do futebol brasileiro. Foram 17 em 20 anos.

Desde a conquista do título estadual de 1996, na gestão de Orlando Fernandes Craici, o clube tem sofrido para encontrar uma diretoria competente e montar equipes competitivas, a altura de sua história e tradição. 

Paulo Cesar Gatão sai da torcida para assumir o clube (A Gazeta)

Após a gestão Craici, que concluiu o mandato em abril de 2000, após 13 anos no cargo, o clube foi dirigido pelo ex-jogador de futsal e bacharel em educação física Wilson Bregunci (2001/2002), não concluindo o mandato. Na época foi bastante criticado por ter mandado o time se retirar de campo, em 2001, na primeira final do Estadual contra o Juventude, após um erro da arbitragem. O time de Primavera do Leste venceu por 4 x 2 e faturou o caneco por um WO na partida de volta. 

Em 2004, o ex-jogador e empresário Márcio Pardal, filho do ex-conselheiro Armindo Carreto Pardal assumia o clube, também por pouco tempo. No ano seguinte, Fabinho, outro ex-jogador, assumiu o cargo, permanecendo até maio de 2006. Um mês depois (maio/2006) o bancário Valdir Leite Silva era eleito em junho, mas ficou só três meses (renunciou ao cargo em setembro).

Em seguida, José Luis Paes de Barros (ex-presidente do clube) que presidia o Conselho Deliberativo assumiria interinamente, até o servidor público Reginaldo Amorim ser eleito em dezembro. Mas, em 2007 Amorim renunciaria no mês de setembro, para dar lugar ao vereador Júlio Pinheiro, eleito em outubro. Pinheiro, apesar de ter prestígio político, montou uma equipe caseira, sem estrelas, onde os destaques eram o volante Bogé e o meia ofensivo Fernando, que mais tarde seria transferido para o Flamengo, e, apesar das dificuldades, superou o União, em pleno Luthero Lopes, para ser campeão estadual após um longo jejum de 12 anos.

Mas, após o título, Pinheiro abandonou o clube e em abril de 2009 renunciaria ao mandato. Pinheiro faleceu em 2016.

Márcio Pardal assumiria em abril, para renunciar em novembro de 2010. Numa eleição com apenas dois candidatos o Conselho escolheu o advogado João Amuí no mês de dezembro daquele ano, numa disputa com o jornalista Orlando Antunes. Em fevereiro de 2011 João Amuí renunciava para Hélio Machado, presidente do Conselho Deliberativo, assumir interinamente. Reginaldo Amorim, novamente eleito em março, renunciou em julho de 2011. Em agosto do mesmo ano, Hélio Machado era eleito.

O ex-jogador de futsal Walter Hudson renunciou ao cargo este ano (A Gazeta)

No ano de 2012 Hélio Machado deixou o cargo em abril, após Júlio Pinheiro ter desistido de permanecer ao cargo para qual fora eleito novamente. Em julho de 2013, Hélio Machado renunciaria novamente, até o supersecretário de Estado, Eder Moraes ser eleito em junho. Com ideias megalomaníacas, Moraes iniciava uma trajetória que parecia revolucionar o clube, com contratações de impacto e investimentos na ordem de R$ 5 milhões, que não deram em nada.

No ano de 2014 Eder Moras renunciava ao cargo em julho, após ter sua prisão decretada pela Justiça e se tornar delator nas operações da Polícia Federal. Elber Rocha, então presidente do Conselho Deliberativo assumia interinamente; em seguida Cristino Batista, eleito presidente do Conselho.

Em novembro de 2014, o torcedor e ex-gandula do Verdão, Paulo César Camargo - o Gatão é eleito com a voto da maioria, como candidato único.

Em menos de um ano de gestão, enfrentou forte resistência do Conselho Deliberativo, que renunciou em peso. No mesmo ano o departamento de futebol do clube foi terceirizado para gestores de Campinas-SP, até um atleta de 21 anos, contratado em Curitiba/PR, denunciar às autoridades dois empresários ligados ao clube e aos gestores.  Extorquido, o jogador denunciou o caso em reportagem exclusiva de A Gazeta e colocou os golpistas para correr. 

Proibido de falar pelo clube e censurado pelos gestores e sua própria diretoria, o presidente Gatão saiu. Foi o 12º a renunciar. Em seu lugar assumiu o ex-goleiro de futsal e funcionário público Walter Hudson, que renunciou em maio desse ano.

Atual presidente do Conselho Delibetrativo, o vereador por Cuiabá sargento Joelson, se posiciona ironicamente contrário a participação de políticos na gestão do Mixto. Hoje um dos colaboradores mais ativos do Alvinegro, ele ressalta que a imagem e administração foram prejudicadas ao longo dos anos justamente por interferência política.

“O Mixto tem que se afastar da política. O clube se encontra desta forma em especial por estar ligado politicamente com algumas pessoas. Dou minha parcela de contribuição sem misturar política com o futebol”, disse Joelson, descartando qualquer possibilidade de assumir o papel de mandatário do clube para os próximos anos.

Um comentário:

  1. Olha só se não é este jornalista que vive fazendo só matéria negativa contra o Mixto o mesmo que já foi assessor de imprensa do clube???

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