Torcedora-símbolo do Mixto, Dona Terezinha completa 69 anos e conta que assistia escondido os jogos do Alvinegro

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Fábio Ramirez/MixtoNet


O nome dela é Terezinha do Carmo, entretanto, para muitos é a Dona Terezinha ou Dona Tetê. Uma simpática e fanática torcedora do Mixto que completa nesta quinta-feira (10) 69 anos. Terezinha se tornou uma torcedora-símbolo do Tigre, todos gostam dela. Nunca falta um jogo e integra o quadro do Conselho Deliberativo do clube. É também uma torcedora de arquibancada, dessas que faz sol ou chuva está cantando com a Torcida Boca Suja.   

 

O Alvinegro Cuiabano tem em sua história um papel protagonista das mulheres. O nome da agremiação tem essa origem e a fundadora do clube e compositora do hino foi uma mulher, Zulmira Canavarros. Quem liderava a torcida organizada nos anos 1970 e 1980 também era mulher, Nhá Barbina. Dona Tetê segue esse legado.  


A ícone conta que são 56 anos de paixão.  


Comecei torcer para o Mixto aos 13 anos e hoje estou completando 69 anos. Quanto chão, né? Cinquenta e seis anos de Mixto, graças a Deus, com muito orgulho. 


De família imigrante, a paixão pelo Alvinegro foi à primeira vista. 


Nós morávamos em São Paulo e por causa do meu irmão mais velho eu torcia para o Corinthians. Quando chegamos em Cuiabá eu ficava na porta de casa, naquela época, nós morávamos ali na Benedito Leite, como não tinha asfalto eu juntava latinha e molhava a rua. E sempre via gente passando com camisa do Mixto. E gostei. Aí falei para minha amiga, Senhora Nil, já falecida, ela era prima de Saldanha, que foi goleiro. Falei “Nil, mas eu achei linda essa camisa”. Ela disse “essa aí é do Mixto”. 


Terezinha teve que enfrentar o preconceito e assistia os jogos do Mixto escondido. Mas depois conquistou toda família para a paixão. 


Eu e Nil começamos ir ao estádio escondidas. Entravamos por baixo do arame e ficávamos sentadas, quietinhas ali. Escondidas no meio do povo. Até que um dia um primo meu foi lá em casa e falou pra mamãe que sempre me via no jogo do Mixto. E eu não desmenti, falei “mãe, eu vou sim”. Mamãe queria brigar comigo e meu irmão falou “não! Ela não está fazendo nada demais. Lá em São Paulo tem mulher que vai para o estádio com bandeira, com tudo. O bom seria você acompanhar ela”. E a partir desse momento, mamãe teve outra mentalidade. E não é que mamãe passou a acompanhar nós, até depois, já na época do Verdão. A primeira roupa preta e branca do Mixto que eu vesti foi mamãe que fez, ela fez a faixa e bordou. Naquela época era difícil, o povo não tinha consciência das coisas, né. Falavam que estádio não é lugar para mulher. Até hoje tem gente ignorante que pensa dessa forma.  


Confiante, Tetê concluiu a entrevista com a esperança que sempre carrega consigo. 


“Ainda hei de ver o meu time lá no alto!” 

Veja no vídeo trecho de uma entrevista de Dona Terezinha para o documentário "Mixto EC História de Garra":


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