Opinião: Episódio da Copa FMF é rasteira no Mixto

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Por Odeney Miguel de Arruda* 



Já é público que não haverá a Copa FMF-MT 2020, conforme decisão da Federação e por desinteresse dos clubes, que alegaram não ter recurso financeiro para tocar duas competições ainda este ano — no caso, finais do Campeonato Mato-grossense e a Copa FMF-MT. Com isso, ficaram como maiores prejudicados o Mixto EC e o Araguaia Atlético Clube. Rebaixados no Campeonato MT 2020, não podem ter mais a chance de conseguir uma vaga na Copa do Brasil 2021 —  que vale de R$ 500.000,00 a R$ 600.000,00 na primeira fase dessa competição.


Como todos sabem, a Copa FMF-MT existe desde 2004 e este ano foi apresentado novamente no calendário da nossa Federação de futebol profissional, em janeiro de 2020. 


Se por um lado não há como negar que a pandemia prejudicou o calendário, cuja Copa FMF estava prevista para iniciar em agosto e não haveria como realizá-la nesta data, pois estava no pico da pandemia em nosso país e com isso não havia autorização (decretos) das autoridades competentes para realizações de competições de futebol.


Por outro lado, o Mixto hoje tem um Ato Trabalhista (acordo) com o TRT-MT envolvendo dividas passadas e nos últimos dois anos não recebeu nenhuma nova ação nesse sentido. Com dificuldades, o clube vem honrando os compromissos feitos com seus atletas, comissão técnica e funcionários, justamente por ocasião das competições que se tem participado.


Pode-se dizer que sem a Copa FMF foi tirado uma segunda chance do Mixto sobreviver e pagar as suas pesadas contas, conforme requer a Lei de Responsabilidade Fiscal nos Esportes, conhecida como Profut (Lei Federal 13.155/2015).


Com o Estatuto do Torcedor, o torcedor passou a ser também consumidor (Art.3º da Lei do Defesa do Consumidor). É que em tal Estatuto do Torcedor não se trata só do aspecto jurídico, mas social, conforme análise de André Tisi em "O que é o Estatuto do Torcedor para o Direito Desportivo".


Com a confirmação da não realização da Copa FMF, o Mixto EC e o Araguaia AC corre risco de perderem patrocinadores já existentes e também os que poderiam futuramente investir. Perdem a sustentabilidade como agremiações de futebol profissionais.


Sem falar que haverá um baque no seu programa 'Socio-Torcedor do Mixto' ora existente. É um programa que tem como premiação o torcedor assistir aos jogos do clube sem pagar ingressos. Quem vai querer ser sócio-torcedor de um clube de futebol profissional que fica sem calendário por um período aproximado de 10 meses pela frente?


* Odeney de Arruda é ex-atleta amador, Assistente Social, Advogado e Pesquisador do futebol mato-grossense

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