Mixto cobra repasse da prefeitura amparado por lei e Carlos Brito não reconhece compromisso com os clubes


Um dos clubes de futebol mais tradicionais do Estado, o Mixto, cobra uma dívida de R$ 2 milhões da Prefeitura de Cuiabá com os times da Capital. A agremiação promete, inclusive, fazer mobilização nas redes sociais, passeata e vigília em frente ao Palácio Alencastro para protestar o débito e chamar a atenção da população. Segundo o presidente do clube, Eder Moraes, a torcida do Mixto está engajada na causa e se vê instigada a ir às ruas diante dos exemplos de mobilizações nacionais contra o aumento da tarifa de ônibus, a corrupção e a PEC 37, que barra o Ministério Público de fazer investigações criminais e será votada na Câmara Federal no fim do mês.

Eder afirma que o repasse dos recursos está previsto em lei municipal e que o “calote” vem ocorrendo desde o ano passado. O secretário municipal de Esportes, Carlos Brito, por sua vez, diz não reconhecer qualquer compromisso da pasta neste sentido e deixa claro que a prioridade do município é investir em obras para a população e não “patrocinar” clubes de futebol, que são empresas privadas. “Nossa prioridade é restabelecer as condições de uso e manter os complexos esportivos nos bairros, principalmente os ginásios da Lixeira e do Dom Aquino, que serão reformados no segundo semestre. Em lugares mais humildes estas são as únicas opções de lazer e entretenimento”, salienta Brito.

O secretário destaca que o orçamento da pasta já é restrito, sendo R$ 10 milhões/ano, e que 70% são comprometidos com folha de pagamento e o restante com custeio. Para investimentos, obras e limpezas destes espaços, Brito conta com parcerias com a comunidade e outras secretarias. Lembra ainda que na Lei Orçamentária de 2013 da pasta não há qualquer referência à suposta dívida e ressalta que a secretaria já arca com a manutenção do Dutrinha para a realização dos campeonatos mato-grossenses. "Lá, os clubes jogam de graça".

Brito ainda frisa que quando a prefeitura adquiriu o imóvel, no final de 2011, saneou uma dívida existente e fez pequenos reparos em sua estrutura física. Não conseguiu fazer uma grande reforma por conta da falta de outros espaços esportivos adequados, principalmente pelas obras na Arena Pantanal. Mesmo assim, Eder garante que os clubes não vão abrir mão, tendo em vista que reivindicam remanejamento. Garante que a única forma de impedir o movimento é uma negociação por parte do prefeito Mauro Mendes (PSB). O presidente também reforça que a prefeitura não pode alegar falta de recursos, porque o prefeito “propagandeia” superávit.

Fonte: Glaucia Colognesi e Jacques Gosch/RD News
19/06/2013