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Torcedores comentam a emoção de ver o Mixto jogando na Arena Pantanal


03/04/2014
A euforia da torcida tomou conta da Arena Pantanal e por 90 minutos a população esqueceu os problemas que enfrenta diariamente nas ruas de Cuiabá desde o início das obras para a Copa de 2014. O estádio foi aprovado e os fãs do Mixto não esconderam a alegria de ver o time, que tem 80 anos de fundação, ser o primeiro a por os pés nos gramados do antigo Verdão. A partida do Mixto x Santos pela Copa do Brasil terminou em 0 x 0.

No setor Norte e Oeste, onde a torcida do “Boca Suja” marcou presença para dar apoio ao time cuiabano, a aposta era de 2 x 0 e 1 x 0, sempre com a expectativa de ver o Mixto campeão. Mesmo antes do time entrar em campo, os integrantes do “Boca Suja” já faziam a festa com a bateria levada para a arquibancada.

Pessoas de todas as idades estiveram presentes. Aos 91 anos e muita história para contar do time de coração, Maria Zeferina da Silva, conhecida pelo apelido de Nhá Barbina, marcou presença, torceu, sofreu e esperava mesmo era um gol do jogador Kiko. “Estou muito feliz por participar deste momento, vendo meu time pisando nesse gramado lindo, que é usado pela primeira vez”.

Acompanhada de vários familiares e da amiga Terezinha do Carmo Ferreira, 62, Nhá Barbina não conseguia tirar os olhos do gramado. Já Terezinha estava empolgada em contar as aventuras que viveu nos últimos 50 anos de torcedora do Mixto. Na década de 70, ela e a amiga passaram 2 dias em um ônibus rumo ao Rio de Janeiro para ver o time jogar pelo Campeonato Brasileiro. “Perdemos e fiquei o dia inteiro chorando.

Eu amo demais esses meninos, sempre conhecemos todos os jogadores. Também estou torcendo para o Kiko fazer o primeiro gol na Arena Pantanal”. Irmã de Ico, ex-jogador do Mixto, Maria da Conceição Albuquerque, 78, é apaixonada por futebol e não quis perder a partida. Aproveitou a companhia da família para o momento histórico. “A Arena foi um presente para nós e para ficar melhor ainda meu Mixto precisa fazer um gol”.

Regina Araújo, 42, também aproveitou para conferir o estádio e o jogo em companhia do marido Ivaldo Bispo, 55, e dos filhos Ana Vitória, 9, e Luis Phelipe, 4. Com camiseta do time cuiabano, o menino não perdeu um lance e sofreu, como o resto da torcida, a cada oportunidade perdida. “Ser mixtense está no sangue da família, todo mundo é muito fã. Para o jogo ficar bom, precisa de um gol. Estamos levando muito susto, passando apuro aqui. Aí não tem como não sofrer”.

Regina acredita que a estrutura do estádio será um incentivo para os times locais serem resgatados. “Nosso esporte merece atenção e incentivo. O governo tem que entender isso. Agora que temos uma estrutura dessa, tem que apostar no nosso futebol”.

Para o repositor Marcelo Wagner Leite, 32, o primeiro jogo entra para a história do futebol e com ele vem a esperança de ver os times mato-grossenses recebendo apoio para alavancar no cenário nacional. Marcelo apostava em um placar de 2 x 0, como tantos outros torcedores. “A primeira impressão da Arena é ótima, estou muito satisfeito com o efeito, mesmo antes de acabar a obra”.

Camila Moreira Belo, 28, também estava entre familiares e a turma tinha integrantes de idades variadas, desde a avó Maria Conceição, 73, até o filho Caio, 2. Todos do “Boca Suja” e como integrante da torcida organizada, ela também estava empolgada para ver o time entrar em campo. “Estamos felizes, o estádio está lindo. Mas a alegria de hoje não é suficiente para compensar o que estamos sofrendo todos os dias com essas obras”.

O cadeirante Paulo Santos, 43, garante ser mixtense desde a infância e não esconde a empolgação com o momento. “Hoje estou realizando um sonho que é o de ver meu Mixto inaugurando a Arena Pantanal. É muita emoção”.

Embora tenha aprovado o estádio, lamentou a acessibilidade limitada, que o impediu de ficar junto com a torcida do “Boca Suja”. “O espaço é pequeno entre as cadeiras, não me cabe. Outro problema é que só dá para subir de escada. Depois vou ver o banheiro. Mas o que importa é que estou feliz demais vendo meu time”.

E a partida teve direito à participação da mexicana Gabriela Alejandra Dominguez Garcia, 18, que está em Cuiabá participando de um intercâmbio. Para a estudante, participar deste momento do futebol mato-grossense e brasileiro é muito emocionante. “É muita felicidade presenciar um jogo no estádio que vai ter a Copa do Mundo. Está tudo muito lindo. Vou tentar comprar ingressos para os jogos que vão acontecer durante o evento em junho”.

Raquel Ferreira / Gazeta Digital - Foto: Marcus Vaillant / A Gazeta

 

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