16.3.15

Entrevista: presidente avalia a participação no Estadual, prevê disputa da Copa MT e diz que meta agora é quitar as dívidas que ficaram


Paulo Cesár Gatão presidente do Mixto (Foto Christian Guimarães)
Até novembro de 2014, Paulo César Gatão era apenas mais um fanático pelo Mixto, maior campeão estadual com 24 conquistas, que comparecia aos jogos para gritar e incentivar. Depois daquele momento, trocou as arquibancadas por nada mais nada menos que a presidência do clube, em uma eleição que ninguém queria concorrer. Por amor (e para não deixar o clube parado), Gatão aceitou o desafio árduo de tentar colocar um time em campo, pouco mais de dois meses antes do início do Campeonato Mato-grossense. Apesar de todas as dificuldades, conseguiu cumprir o objetivo inicial de - ao menos - deixar o Mixto na elite do futebol mato-grossense. 

Para coroar a permanência, a vitória que afastou o time do rebaixamento foi justamente contra o maior rival, o Operário Várzea-grandense, neste domingo, na Arena Pantanal. Passada todas as dificuldades, o presidente deixou o futuro em aberto, mas não sem antes colocar como prioridade a busca por mais dinheiro - a folha salarial de fevereiro ainda não foi quitada. 

- Estou 50% aliviado. Os outros 50% serão sanados quando conseguirmos pagar todas as contas que ainda ficaram. Vamos reunir a diretoria hoje para discutir o que vamos fazer, como vamos levantar o montante e não deixar nada para ser pago mais pra frente. Essa é a nossa prioridade. Temos alguns parceiros que ainda não repassaram a verba, alguns colaboradores. Hoje, com cerca de R$ 90 mil a gente consegue sanar tudo - disse Gatão, ao GloboEsporte.com. 

Por ora, o futuro do Mixto segue em aberto, mas a ideia é disputar a Copa Mato Grosso, prevista para começar no segundo semestre. 

- Ela vale vaga na Copa do Brasil e isso é importantíssimo para o Mixto. Mas por ora vamos resolver tudo o que temos ainda, zerar as contas e aí sim começar um planejamento. Sabemos que isso faltou para o Mato-grossense, mas pegamos o time do zero. Sem nenhum palito de fósforo. Então o balanço foi bom, pois além não cair para a segundona, ainda ficamos perto de conseguir a classificação. Faltou um gol somente para conseguirmos a vaga. Foi por pouco. Somamos os pontos no campo e agimos da forma correta em denunciar o Sinop [que perdeu quatro pontos por escalar atletas irregulares]. Nós deixamos oito jogadores de fora por cumprir o regulamento. Eles não. 

Para Gatão, o seu próprio futuro no comando do Tigre está em aberto. Ele pede mais apoio de todos e deve mudar algumas coisas caso permaneça. 

- Aqui somos todos voluntários e isso pode atrapalhar em certos momentos. Eu não consigo cobrar com tanta eficiência, como se fosse cobrar alguém remunerado que está ali para trazer resultados. Perde um pouco do comando. Mas a experiência desse período foi ótima. Sair da arquibancada e conhecer os bastidores e a malandragem do futebol. 

O mandatário busca organizar a casa para que o time tenha o mínimo de estrutura daqui pra frente. 

- Chegou a falta água, gelo e demais itens do dia a dia que não pode acontecer em um clube de futebol. Nós começamos o trabalho apenas no fim do ano. Fomos na raça, mas sem um conhecimento amplo. É preciso um marketing profissional para angariar recursos. Planejar a médio e longo prazo. O Mixto é gigante, mas precisa do mínimo de estrutura. Nós conseguimos campo para treinar, casa para os atletas, um time barato. Fomos até longe demais. 

Por fim, Gatão não deixou de enaltecer o elenco que somou os pontos necessários para o time escapar da degola. 

- Com todas as dificuldades que eles enfrentaram, ainda foram guerreiros e se superaram. Estão todos de parabéns e conquistaram o respeito de todos os mixtenses. Queremos pagá-los o quanto antes. É o mínimo que temos que fazer. Eles viram que jogar no Mixto é diferente. Imagina como seria a segunda-feira na Segunda Divisão. 

Robson Boamorte / Globo Esporte
16/03/2015

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