10.9.15

COLUNISTAS: A LOJA DO MIXTO FECHOU. O QUE ACONTECEU?


COLUNISTAS - Bastidores do Tigre 02 (Fábio Ramirez*)
Inaugurada em 16 de março deste ano, a Loja Oficial do Mixto não durou nem seis meses e fechou as portas. 

Idealizada pela ATAM - Associação de Torcedores e Amigos do Mixto - em conjunto com a atual diretoria do clube (veja aqui matéria da inauguração e o vídeo), a Loja do Mixto tinha como objetivo difundir a marca e os produtos do clube, além de gerar receita. Só virou realidade por conta do investimento feito pela Tubarão Sports - fornecedor de material esportivo. Aliás, toda a gestão da loja era executada pela Tubarão.

Mas por que o projeto fracassou? A pergunta pode gerar diversas especulações, mas ainda sem repostas. Afinal, até o momento a diretoria não se pronunciou sobre o fechamento.

Com um pouco de reflexão podemos levantar alguns possíveis fatores que podem ter contribuído com o insucesso:

1) Não era o momento apropriado para o lançamento da loja. O Tigre acabava de ser eliminado do Matogrossense, estava fora do Campeonato Brasileiro e não disputava nos meses seguintes nenhuma competição. Para piorar, havia um clima de desânimo e desilusão na torcida;

2) O local escolhido. Apesar de situado na região central da capital, não disponibilizava estacionamento (local de muito trânsito) e possuía aluguel muito caro: R$ 6 mil/mês, inviabilizando o projeto;

3) Não havia nenhum projeto de marketing para levar o torcedor a consumir as mercadorias. Qualquer plano de vendas sem um plano de marketing está condenado à morte;

Querer dar passo maior que a perna, é típica de ação não planejada adequadamente.  Infelizmente, por falta de profissionalismo e visão empreendedora por parte da diretoria do clube, a Loja do Mixto nasceu condenada. 

Mas se de tudo dá para tirar uma lição, o projeto ao menos mostrou que a marca Mixto tem um potencial se for bem trabalhada: com todos os problemas já listados, a loja chegou a vender cerca de R$ 15 mil/mês, mas era insuficiente para cobrir os custos: aluguel alto, funcionários, impostos, fornecedor Tubarão, etc. 

Não se pode ter o olho maior que a barriga. As coisas devem acontecer passo a passo, caminhando junto com o crescimento do clube. Por que não começar com uma loja virtual ou quiosques em lojas do varejo e dias de jogos?

Quando se trabalha de forma isolada a chance de errar é muito maior. Foi o que fez a diretoria, que ao menos socializou o projeto da loja com o Conselho Deliberativo, que, alias, só teve acesso ao contrato entre Mixto e Tubarão com a loja já em funcionamento - contrato que estabelecia apenas 10% das vendas para o Mixto e parte de R$ 3 mil/mês no aluguel. 

Lamentavelmente queimaram mais um cartucho. Como fizeram com o Sócio Torcedor, com o programa de milhagens e muitas outras ações mal planejadas. A consequência? Cada vez menos torcedores acredita. 

09/09/2015

* Por Fábio Ramirez. 
Integrante do Conselho Deliberativo do Mixto e membro da Torcida Boca Suja
fabioramirez.com@gmail.com