27.9.15

"Ele me apelidou de Nhá Barbina porque eu gritava demais nos jogos. Eu não parava". Veja como surgiu o apelido de Nhá


O Mixto Esporte Clube sempre esteve presente na vida dessa senhora que desde os dezoito anos elegeu o Mixto como o “melhor do Mato Grosso”, como ela mesmo dizia. Filha do zelador do Dutrinha, Ângelo Carlos da Silva, Nhá Barbina o acompanhava ao estádio e foi assim tomando “gosto” pelo futebol. 

Fundadora da primeira torcida organizada do Mixto, a torcida “Coração Alvi-negro”, de 15 de agosto de 1975, ela conta que sua paixão pelo futebol e pelo Mixto, nasceu quando, muito religiosa, foi ajudar na venda de ingressos para um jogo entre Mixto e Operário, em que a arrecadação ajudaria o padre Quirino da Catedral Metropolitana. 

“Vendi os ingressos e fui assistir ao jogo. Como o centro-avante Carlos Leônidas, era jogador do Mixto eu comecei a torcer para o time. No final da partida, com a vitória me apaixonei.” 

Desde então começou a coordenar a torcida do time e segundo ela, “arrastava as mulheres, suas amigas, para o estádio”, coisa que na época não era bem vista, mas que “elas nem ligavam”. 

O nome de batismo de Nhá Barbina, é Maria Zeferina da Silva. O apelido carinhoso, ela recebeu do sargento Zarur que comandava a torcida do arqui-adversário Operário por conta de uma personagem da novela “As pupilas do senhor Reitor, que passava na época. “Ele me apelidou de Nhá Barbina porque eu gritava demais nos jogos. Eu não parava um minuto e ele achava que eu era parecida com ela”, recorda. 

“Antigamente lotava o Dutrinha, depois quando construíram o Verdão, todo mundo ia para lá. Hoje não tem informação de quando vai ter jogo. As rádios e a televisão tem que avisar o torcedor. O bom de boca mesmo era o Roberto França e o Saraiva”, relembra. 

Nhá Barbina conta que em 1976, o Mixto foi disputar a final do Campeonato Brasileiro no Maracanã (RJ), contra o Vasco. Ela organizou uma caravana e foi assistir o jogo. “O Mixto perdeu de 1 a 0, porque o jogador Pastoril perdeu um pênalti. O Maracanã foi o lugar mais distante que já fui ver o Mixto jogar.” 

“Eu tenho saudade daquele tempo que infelizmente não volta mais. Antigamente tinha organização. Hoje, se o Carlos Orione não organizar a casa, não tem mais futebol em Mato Grosso”, declarou a torcedora, que recebeu a reportagem do DIÁRIO, uniformizada. 

Ela recordou de um jogo em que, depois de “tomar uma cervejinha” foi sentar, uniformizada, armada e com a bandeira do Mixto, na torcida do Operário. “Apanhei e a polícia viu a minha arma, segundo ela, uma pistolinha, e quase fui presa. A polícia pegou quem me bateu e eu fui sentar com a minha torcida”, recorda a passagem divertida. 

Fonte: Diário de Cuiabá em maio de 2000 / Adaptado por Mixtonet - Foto: Fábio Ramirez / Mixtonet
26/09/2015

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