Técnico dispara contra diretoria: "falta de campo para treinar, não tem rouparia, departamento médico"


O treinador Gilson Paulino entregou o cargo na tarde desta segunda-feira e não comanda mais o Mixto na reta final do Campeonato Mato-Grossense. Ele alegou falta de estrutura e respaldo da diretoria para deixar a equipe, que chegou a ser vice-líder do grupo A, mas que não vence há cinco jogos. Neste domingo, o Tigre perdeu para o Poconé, de virada, e chega à última rodada da primeira fase com chances de ser rebaixado. O supervisor José Carlos da Silva assume o time contra o Operário VG, no domingo. 

Gilson Paulino, treinador do Mixto (Foto: Olímpio Vasconcelos/Mixto)- Não posso ficar tomando pancada sozinho. São vários problemas que sobra somente para mim. Não posso assumir essa culpa sozinho. O Mixto tem muitos problemas, em que tentamos contornar nesses dois meses. Porém, chega uma hora que a situação fica insustentável. Não tinha mais clima de continuar. Quem sabe quando vier alguém novo, os jogadores se motivem mais. Fiz tudo o que podia - disse ao GloboEsporte.com. 

O Mixto quase ficou fora da disputa do Mato-Grossense por falta de dinheiro, mas com a criação da Associação Tigre da Vargas, o time ganhou sobrevida. É a associação que tem bancado as despesas do clube. 

- O Mixto tem problemas administrativos, atraso de salário, falta de campo para treinar, não tem rouparia, departamento médico. Não tem quase nada. Isso complica demais no dia a dia. Não fizemos pré-temporada direito, muitos jogadores foram chegando com o trabalho em andamento. Isso prejudicou demais também. Perdemos atletas lesionados, que não faziam o tratamento direito por falta de estrutura e atrasava a volta aos gramados. 

Gilson lamentou a saída por conta da qualidade do elenco, segundo ele. Para o agora ex-treinador, outro ponto foi crucial para a queda de rendimento do clube: a saída de Chapada dos Guimarães (65 km de Cuiabá). Foi na cidade turística que o Tigre iniciou os treinamentos. 

- Lá em Chapada nós tínhamos quase tudo e a preparação seria muito melhor. Aqui em Cuiabá faltou quase tudo. O torcedor não sabe as dificuldades do dia a dia. Foi difícil ser treinador e psicológo ao mesmo tempo. Ter que convencer os atletas de abraçar a causa, que o salário iria sair. Eu mesmo, desde que cheguei, não recebi nem 10% do combinado. 
A diretoria do Mixto não atendeu as ligações para repercutir a saída do treinador. O Mixto volta a campo neste domingo, contra o Operário VG, na Arena Pantanal. Uma derrota somada a uma vitória do Poconé, que enfrenta o Cacerense, rebaixa o Mixto para a Segunda Divisão. 

Fonte: Globoesporte.com