O final do jogo do Mixto contra o Cuiabá, na noite de domingo (18), foi marcado por uma confusão generalizada no Estádio Presidente Dutra, o Dutrinha, em Cuiabá. Os torcedores não aceitaram o empate em 0 a 0, acusando a arbitragem de erro. Para conter os ânimos, a Polícia Militar usou gás de pimenta e, no tumulto, mulheres, crianças e o presidente do Mixto, Dorileo Leal, foram atingidos pelo spray. Dorileo afirma que houve excesso na ação policial contra os torcedores.
Em conversa com o Repórter MT, Dorileo explicou que a confusão teve início após manifestações da torcida contra a não marcação de um gol para o alvinegro. Segundo ele, tratava-se de um protesto comum no futebol, sem atos de violência.
— No final do jogo, eu estava até indo embora, foi um ato de protesto da torcida contra a não marcação de um gol, houve um protesto. Isso é normal em qualquer estádio do mundo. Um protesto contra a arbitragem, mas sem agressão, sem violência, sem nada. Eu estava indo embora, aí eu vi uma confusão grande da polícia arrastando um dos líderes da torcida do Mixto e corri pra interceder, para pedir calma. Eu fiz um trabalho de tentar acalmar o ambiente porque eu vi que estava ficando muito grave a situação e até consegui num primeiro momento que a situação fosse controlada. —, contou.
O dirigente afirmou que, mesmo após tentar intermediar o conflito, a atuação policial se intensificou e acabou atingindo torcedores que deixavam o estádio, incluindo famílias.
— Eu preciso dizer também que o comandante da Polícia Militar, o governo, o secretário de Segurança Pública precisam tomar uma providência. Não pode colocar alguns profissionais - não são todos, é bom que se diga - despreparados para função. Muita arrogância, age com truculência, age com violência, num ambiente que não precisa. É um ambiente de futebol. Agindo assim, a polícia contribui para que o torcedor não volte ao estádio, que a família não volte ao estádio. Isso é absurdo. Ontem tinha crianças caindo, desmaiadas com spray de pimenta na cara, senhoras de 70, 80 anos sendo atingidas. Um capitão no comando que, ao invés de interceder para evitar, parece que estava apoiando esse tipo de atitude —, denunciou.
Dorileo descreveu ainda o cenário do lado de fora do estádio após a chegada de reforços policiais.
— Parecia um campo de guerra. Eles solicitaram reforço e foram unidades de tudo quanto é lado da cidade, parecia que estavam na Faixa de Gaza. Entraram com carro em alta velocidade no meio de gente, de criança, de senhoras, quase atropelando as pessoas. Fizeram um espetáculo deprimente na porta do estádio —, relatou.
Vídeos divulgados nas redes sociais pela página MixtoNet mostram Dorileo tossindo após ser atingido pelo gás e sendo amparado por integrantes do clube até um bar nas proximidades, onde tentou se recuperar com água. As imagens também mostram torcedores deixando o estádio acompanhados de familiares, incluindo mulheres e crianças, enquanto ocorre o uso do agente químico, provocando pânico. Algumas pessoas passaram mal e precisaram de atendimento no local. Segundo ele, acabou sendo atingido mesmo sem participar do protesto.
— Eu acho que o comando da Polícia Militarc, afastar ou preparar a equipe da Polícia Militar para esse tipo de evento, para estar no estádio. Não pode ir no Dutra, na Arena Pantanal, como se estivesse caçando bandido na faixa de fronteira. Lá não tinha bandido, lá tinha família, gente boa, todo mundo torcendo. Eu também fui atingido, eu não tinha nada a ver com o negócio, eu só tava lá ajudando para evitar uma tragédia e acabei sendo atingido também, como tantos que também não tinham nada a ver e foram atingidos —, criticou.
Ele reforçou também que a forma de atuação afasta o público dos estádios.
— Quem vai querer seu filho num ambiente desses? Quem vai querer sua família num ambiente desses? Quem vai levar alguém idoso num ambiente desses? Um ambiente de animosidade criado pela polícia. Eu não tô dizendo que a polícia não tem que evitar o tumulto, deveria evitar porque é a missão dela, mas não precisa agir da forma que agiu. Não era uma caçada de bandido na fronteira do Mato Grosso —, reclamou.
A assessoria do Mixto informou que, por hora, não vai se manifestar sobre o caso.
Fonte: Repórter MT

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