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| Leônidas é o maior artilheiro do Mixto em campeonatos Estaduais |
Ao longo de sua história, o Mixto teve grandes atacantes. Artilheiros que marcaram época, fatais dentro da grande área, verdadeiros terrores para zagueiros e goleiros. “Matadores” que viraram xodó da torcida — a maioria deles, curiosamente, com estaturas medianas.
Especialistas e estudos indicam que, embora a altura possa influenciar determinadas habilidades, como as disputas aéreas, o chamado “faro de gol” — a eficácia na finalização — depende muito mais de outros atributos, como agilidade, velocidade, técnica e posicionamento. Não há uma correlação direta e determinante entre ser alto e ser um artilheiro prolífico.
Bife, considerado por muitos o maior de todos, tinha apenas 1,70m e marcou quase 100 gols na era Verdão, vestindo também a camisa do Operário, entre as décadas de 1970 e 1980. Só em 1979 foi o principal artilheiro do futebol mato-grossense: liderou a artilharia do Estadual na conquista do primeiro título pós-divisão de Mato Grosso, com 12 gols, e marcou outros 10 no Campeonato Brasileiro, onde foi vice-artilheiro da competição ao lado de Roberto Dinamite (Vasco), Baltazar (Grêmio) e Jair (Internacional). Fechou a temporada com 22 gols. Faleceu em 2007, aos 57 anos.
Depois dele vieram Foguinho (1,67m), Gilson Bonfim (1,68m), Silvinho (1,70m) e Bujica (1,68m), que marcou 23 gols em uma única edição do Campeonato Mato-grossense, tornando-se o maior artilheiro da competição até hoje. A lista segue com Nasser (1,70m), Zé Hilton (1,75m) e Arilson.
Artilheiros do Alvinegro no Mato-grossense
Os últimos atacantes do Alvinegro a encerrarem uma temporada como artilheiros do Estadual foram Silvinho, em 1989, com 9 gols; Arildo, em 1988, com 8; e Evaristo, em 1987, com 10. Em 1982, Vanderlei, com 1,72m, marcou 11 gols, mas encerrou a carreira precocemente após uma grave lesão no joelho.
Leônidas
O atacante Leônidas é considerado por muitos o maior centroavante de todos os tempos do futebol de Mato Grosso. Benedito Severo Gonçalves ganhou o apelido em uma partida do Mixto, quando marcou um gol de bicicleta — jogada característica do famoso Leônidas da Seleção Brasileira. A partir dali, o nome pegou.
Em 1949, foi para o Atlético Mineiro, onde disputou apenas oito partidas e marcou um gol. Teve ainda uma rápida passagem pelo Uberlândia-MG. Em 1951, retornou ao Mixto e encerrou a carreira em 1958. Foi campeão cuiabano em 1945, 1947, 1948, 1949, 1951, 1952, 1953 e 1954. Não há registros oficiais sobre o número de gols marcados, mas estima-se que tenha feito cerca de 80 gols com a camisa alvinegra em oito temporadas. Neste ano, completaria 100 anos de idade, em 6 de novembro.
Ruiter
Outro jogador que defendeu o Mixto por mais de uma década e foi artilheiro do clube em diversas oportunidades foi o “inoxidável” Ruiter Jorge de Carvalho, hoje com 83 anos. Atuando como meia, marcou 10 gols em uma única temporada, em 1970, mas não sabe ao certo quantas vezes balançou as redes ao longo de toda a carreira vestindo a camisa do Tigre.
Com o passar dos anos, a quantidade de gols foi diminuindo, mas há uma explicação simples: a cada temporada, a competição regional — que já chegou a durar cinco meses — foi sendo encurtada, como ocorre neste ano, com apenas 14 datas.
Mixto pode voltar a ter um artilheiro do Estadual, agora com Di Maria
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| Atacante Di Maria está próximo de quebrar longo jejum de artilharia alvinegra no Mato-grossense (Foto: Chico Ferreira/AG) |
Passados 37 anos, o Tigre está muito próximo de voltar a ter o artilheiro do Campeonato Mato-grossense. O novo personagem dessa história já caiu nas graças da torcida: Di Maria. Nascido em Itiquira, há 27 anos, Jeferson Carvalho da Silva veio do São Gonçalo-RJ e assinou contrato com o Alvinegro até o fim da Série D do Campeonato Brasileiro de 2026.
Ao longo da carreira, defendeu Americano-RJ, Serrano-RJ, Imperatriz-MA, Boa Vista-RJ, Grêmio Prudente-SP e Novo Hamburgo-RS.
Em sete jogos disputados até agora, Di Maria já marcou seis gols. Alto (1,95m), forte, oportunista e sempre bem posicionado diante da defesa adversária, tornou-se o algoz dos rivais.
Em entrevista exclusiva ao jornal A Gazeta, Di Maria — apelido herdado do craque argentino e dado por companheiros no Americano, ainda no Sub-20 — projeta a reta final da competição, avalia o campeonato e revela curiosidades da carreira.
— Eu comecei a jogar futebol com 18 anos porque, na minha cidade, Itiquira, era mais o futsal. Então comecei tarde. Meu primeiro campeonato de campo foi a Copa São Paulo, pelo União de Rondonópolis, mas como zagueiro, em 2018. Depois tive a oportunidade de ir para o Americano, ainda no Sub-20. Um treinador me perguntou se eu já tinha jogado no ataque e se poderia fazer um teste. Fizemos, e logo na primeira partida como centroavante marquei o gol da vitória. Desde então, não saí mais da posição —, recorda.
Segundo Di Maria, o gol inesquecível foi o primeiro como profissional.
— A gente sempre fica marcado. Foi o gol do acesso pelo Grêmio Prudente-SP. O clube vinha tentando subir havia mais de dois anos, sempre batendo na trave. Consegui fazer o gol do acesso em 2022. Foi especial e muito importante —, relembra.
Sobre a disputa pela artilharia, o atacante mantém os pés no chão.
— É uma disputa boa e sadia. Tive a oportunidade de abrir uma certa vantagem, mas isso faz parte do futebol. Os gols vão sair naturalmente, com trabalho e dedicação. Se vier a artilharia, será muito importante, tanto pessoal quanto profissionalmente —, projeta.
O apelido
— Quando cheguei ao Americano, no Sub-20, os próprios companheiros disseram que eu parecia um pouco, principalmente no rosto. Aí começou o Di Maria. Subi para o profissional e o apelido ficou até hoje.
Solteiro, mas muito ligado à família que mora em Itiquira, Di Maria revela a gratidão pela mãe, dona Marcina, e pelo irmão Gélisson.
— Eles torcem muito por mim. Sou muito grato por tudo o que minha mãe fez por mim e pelo meu irmão. Carrego a imagem deles até na minha caneleira. Quando faço gol, comemoro com a nossa foto —, disse, emocionado, o atacante mixtense.
Maiores artilheiros do Mixto em campeonatos Mato-Grossense
- Leônidas, 80 gols, entre 1945/54
- Bife, 12 gols, 1979
- Vanderlei, 11 gols, 1982
- Bujica, 10 gols, 1993
- Evaristo, 10 gols, 1987
- Ruiter, 10 gols, 1970
- Silvinho, 9 gols, 1989
- Arildo, 8 gols, 1988
Fonte: Oliveira Júnior / Jornal A Gazeta. Edição MixtoNet

